LOGO-MARCA

notícias

Para reduzir custos, empresas devem se planejar

Data: 20/08/2017

Para reduzir custos, empresas devem se planejar

“Em muitas situações, as empresas agem de forma irracional e consideram o corte de custos como corte de cabeças. Isto implica, na maioria das vezes, na geração de um custo ainda maior, que é a perda de qualidade no serviço que vem a ser prestado pelo cliente. Então, a recontratação de pessoas que não têm o nível de qualificação adequado, faz com que a empresa tenha um gasto ainda maior com o treinamento para poder qualificar essa equipe e manter a qualidade do serviço que está sendo prestado ou do produto que vier a ser fabricado e comercializado”. É com este alerta que o professor da FGV, André Limeira, iniciou um bate-papo conosco sobre redução de custos nas empresas.

Hoje existem outras maneiras de trabalhar o processo de redução e gerenciamento de custos. Mas como fazer? “Existem diversas estratégias que você pode adotar na organização buscando a redução de custos. Entre elas, na ótica de fornecedor e cliente, ao vender a prazo, hoje a maior parte das vendas feitas desta maneira, evite dilatar muito o prazo médio de recebimento. Muitas empresas estabelecem metas de faturamentos e a equipe de vendas se posiciona como ‘atingimos as metas estabelecidas para o trimestre’ em função de uma dilatação do prazo médio de recebimento. Quando você aumenta esse prazo médio de recebimento isso acaba sugando o capital de giro e alguém está pagando essa conta. Eu costumo também dizer que pior do que não vender é vender e não receber. Então, além de você dilatar prazo médio de recebimento para atingir as metas traçadas, você ainda corre o risco de uma inadimplência, principalmente em períodos de crise”, ressalta Limeira.

Já na ótica dos fornecedores, é importante que as empresas exijam prazos curtos para repor a matéria prima, porque mantê-la em estoque por um período elevado, gera custo, custo de armazenagem, custo de estocagem, custo financeiro do capital aplicado e parado em estoque. “Você começa a criar com isto a figura de shoppings industriais, quando você traz o fornecedor para dentro da indústria e tenta se aproximar de uma técnica, que hoje é quase utópica, chamada just in time, que é a política de estoque à base próxima de zero, isso, em função da volatilidade da economia, dificilmente as empresas conseguem atingir, mas hoje o que se traça como objetivo fundamental é você tentar atingir a política de estoque mínimo, o chamado estoque de segurança, ou seja, qual é o nível de estoque que eu devo manter para atender a uma possível nova demanda sem empurrar o cliente para a concorrência?”, complementa André Limeira.

Planejamento estratégico

Não há como gerenciar custos em uma empresa sem antes estabelecer metas, estabelecer objetivos e isso vem através do desenvolvimento do plano estratégico. No planejamento estratégico muito se falava e ainda se aplica a análise Swot, que é crucial e a essência do planejamento; também falava-se sobre as cinco forças de Porter e, atualmente, o que há de mais moderno, em termos de ferramentas de estratégia, é aplicar o plano estratégico através do BSC, onde você cria indicadores através da perspectiva de clientes, fornecedores, aprendizado, política interna, perspectivas internas de gestão. “E o BSC tem relação direta com a geração de indicadores gerenciais oriundos da gestão de custos. Então, não há como você implementar um bom sistema de gestão de custos sem antes ter definido um planejamento estratégico da empresa através desses três pilares: a análise Swot, a variação das cinco forças de Porter e a implementação, que em muitas empresas ainda não têm, do BSC”, resume.

Contudo, o professor da FGV ressalta que não há como se implementar um bom sistema de gestão de custos sem contar com a sua equipe de gestão, sem contar com os colaboradores. “É você trazer os seus colaboradores e fazê-los enxergar a instituição como deles, como se fosse a empresa deles; e isso contribui também, e muito, para se obter a redução de custos, objetivando a maximização dos lucros. Uma das formas que a gente enxerga é a medição de eficiência através da mão de obra, seja do operário da indústria, seja de um médico no hospital, do professor em uma instituição de ensino, do auditor em uma empresa de auditoria, do consultor em uma empresa de consultoria, do advogado no escritório jurídico. Muitas empresas tratam ainda a mão de obra direta, que é um dos custos mais relevantes que se tem no processo de prestação de serviços, ou de industrialização, fabricação de um produto, como custo fixo, equivocadamente”, pondera, diferenciando ainda que uma coisa é você ter o gasto com a folha de pagamento - gasto fixo – e outra é a mão de obra, que deve que ser medida por taxa-hora, avaliada através de um mapa de apontamento de horas (timesheet), onde se consegue mensurar o volume de horas efetivamente apropriadas em cada projeto, em cada produto, em cada serviço, mensurando a ineficiência do processo.

“A ociosidade representa perda de produtividade, ela não agrega valor ao custo, muito menos é repassada ao preço e só contribui para redução de margem e isso tem que ser reduzido até que se consiga total eliminação. Mas muitas companhias não conseguem visualizar justamente por não terem a base da implementação de um sistema de custeio, reconhecendo essa mão de obra como custo variável e acabam tratando como custo fixo, distorcendo por completo a base decisória”.

O professor comenta ainda sobre outras medidas tomadas por empresas qu impactam diretamente os colaboradores. “O processo que em muitas indústrias adotaram de férias coletivas em função de queda de demanda, isso é fundamental, porque manter um operário disponível na empresa com elevada ociosidade e um alto custo, criando a figura do banco de horas, em muitas situações é bem mais benéfico para a empresa, contribuindo para o processo de redução de custos, implementar a política da parada de fábrica, fazendo que seus funcionários entrem em férias coletivas para aguardar o aquecimento do mercado, para que esses operários e seus principais executivos voltem a operação a todo o vapor. É óbvio que com os custos que nós temos de encargos, custos trabalhistas, isso ainda é um fator crítico e que impede muitas companhias de gerirem melhor o seu principal recurso, que é o capital intelectual. O que se espera é que essas novas regras da reforma trabalhista que vem sendo implementada no Brasil contribua e muito para que as empresas consigam gerenciar de melhor forma não só os seus lucros, como também o ponto mais crítico de gestão de qualquer empresa, que é o gerenciamento de custos”, finaliza.

Desafio da carreira profissional em tempos de mudanças

                O que vai acontecer daqui há dez anos? “A única certeza estável é a certeza de que tudo vai mudar. Aliás, tudo mudou e vocês ainda não perceberam”. Foi desta maneira que o professor da FGV, Luis Fernando Torres, iniciou a palestra do mês de agosto sobre os desafios profissionais em tempos de mudança.

            “Hoje, apenas 20% das pessoas pensam e 80% reagem ao mundo. E se precisa cada vez mais de pessoas capazes. O mercado necessita de pessoas mais preparadas e melhores qualificadas”, disse Torres, perguntando aos participantes o que eles estavam fazendo para gerar valor para si próprios.

            “A cada dia você tem que acordar com um objetivo muito claro. Muitas coisas vão acontecer para atrapalhar mas se você quiser mudar, você muda, porque você manda”, pontuou o professor, contando histórias de sucesso e de fracasso.

            Ele informou na palestra que é preciso usar a inteligência, dominar a vontade e parar de pensar que o objetivo profissional é o dinheiro. “Seja fiel aos seus pontos fortes, use suas habilidades, tenha inteligência inter e intrapessoal e aposte no conhecimento, ele é o grande e único produto”, finalizou o professor.

Ética e Conformidade

A Diretoria de Controles Internos da FGV lançou o site de Ética e Conformidade. O espaço foi criado com o intuito de dar maior visibilidade ao Sistema de Controles Internos e de Conformidade FGV, bem como seu Código de Ética e Conduta e sua Política Anticorrupção, que são dois dos principais elementos desse Sistema. Além disso, e também visando a sustentabilidade de sua marca, imagem e reputação, a FGV, cada vez mais, se preocupa com sua responsabilidade socioambiental. O seu novo Código de Ética e Conduta alinha a FGV às práticas de outras organizações nacionais e internacionais não deixando de respeitar as suas especificidades e o alinhamento à sua missão, visão e aos seus valores institucionais. O Código evidencia e reforça os seus princípios de excelência, integridade, ética e respeito aos valores sociais e legais.

 

Direitos Fundamentais

O STF tornou-se um ator protagonista na vida política nacional, chegando mesmo a exercer o que já foi denominado de “Supremocracia” por Oscar Vilhena Vieira, diretor da Escola de Direito de São Paulo da FGV (Direito SP). O professor de Direito Constitucional acaba de lançar a segunda edição da obra “Direitos Fundamentais – Uma leitura da jurisprudência do STF” (Ed. Malheiros), em colaboração com Marina Feferbaum e Flavia Scabin, onde conjuga análises teóricas e práticas dos principais casos julgados do STF. Segundo o professor, a seleção dos casos obedeceu a dois critérios: a relevância do tema e a qualidade do debate realizado no STF. De acordo com ele, buscou-se detectar as questões mais complexas que, se bem apreendidas pelo leitor, o habilitarão a enfrentar os mais diversos problemas no campo do direito.

Reforma Trabalhista

A palestra do mês de setembro da Ideal Conveniada FGV é sobre a Reforma Trabalhista com o professor Enoque Ribeiro dos Santos. Ele é Doutor em Direito do Trabalho, desembargador federal do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região, professor das disciplinas de Direitos Humanos aplicado ao Direito do Trabalho e Direito Processual do Trabalho: ações coletivas, nos MBAs da FGV. A palestra será dia 15 de setembro, às 08h, no auditório da Ideal Conveniada FGV.

Compartilhar